Mas na chapa proporcional além das “afinidades” políticas conta muito as operações matemáticas. Com base no quociente eleitoral (calculado na divisão do número de eleitores com o número de vagas oferecidas), os partidos fazem as contas para saber quantos candidatos poderão eleger. Nesse cenário, surgem algumas peculiaridades. As grandes legendas, como o PSB, por exemplo, enfrentam dificuldades de coligar com outros partidos, já que essa é uma legenda onde os candidatos têm uma grande soma de votos.
Outros partidos começam a sinalizar com um “chapão”. O presidente do PMN, deputado Robison Faria, acredita que a composição da chapa proporcional poderá ser feita PMN, DEM e Partido Verde, caso esse último confirme o apoio a candidatura de Rosalba Ciarlini. O momento é de negociações para os líderes partidários.
Já os candidatos, seja os que buscarão a reeleição ou os que tentam uma estréia no Legislativo, estão fazendo muitos cálculos. A “ferramenta” mais usada no momento é a planilha. Com base nela, os políticos fazem um mapeamento dos municípios potiguares, as lideranças que devem buscar e quantos votos cada uma poderá garantir para a candidatura.
Aumento de vagas impulsiona negociações
Nos últimos dias as negociações dos partidos e candidatos na composição da chapa proporcional ganhou um novo cenário com a minuta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito de 2010. Caso seja aprovada, o que é muito provável que ocorra, o Rio Grande do Norte passará de 24 para 27 vagas na Assembleia Legislativa. Já a bancada de deputados federais será composta por nove parlamentares.
O aumento de vagas para bancada potiguar está amparada nas regras constitucionais que coloca o número de deputados proporcional a quantidade de eleitores. O colégio potiguar possui hoje 2.182.866.
Cresce o número de deputados estaduais e federais e, com ele, também aumenta a estatística de interessados. Se confirmada a minuta do TSE as movimentações políticas ganharão novos pretendentes ao Legislativo.
PSB e PPS discutem a formação de coligações
O deputado estadual Gustavo Carvalho negou que o PSB esteja com dificuldade de compor aliança na chapa proporcional. Segundo ele, o PPS, presidido pelo deputado estadual Wober Júnior, já sinalizou com uma possível aliança. O PTB, do deputado estadual Ezequiel Ferreira, também poderá integrar a chapa.
“É todo interesse do PSB compor aliança tanto para chapa de deputado estadual como de deputado federal. O ideal é a composição”, afirma Gustavo Carvalho.
Na chapa para deputado estadual o PSB têm como confirmados os candidatos a reeleição Larissa Rosado, Márcia Maia e o próprio Gustavo Carvalho. Também estarão na disputa o atual presidente da Empresa Potiguar de Turismo, Cláudio Porpino, o advogado Lauro Maia, filho da governadora Wilma de Faria, e o ex-prefeito da cidade de Santa Cruz, Luiz Antônio Lourenço, conhecido como Tomba.
A chapa para deputado federal tem dois estreantes confirmados: o secretário chefe do Gabinete Civil, Vagner Araújo, e a vereadora Júlia Arruda. Desde a desfiliação por justa causa do deputado federal Rogério Marinho, que deixou o PSB para assinar a ficha do PSDB, o partido ficou sem representação potiguar no Congresso Nacional.
O nome de Vagner Araújo, que se lança com total apoio da governadora Wilma de Faria, desponta como o principal candidato peesssebista para conquistar um mandato de federal.
PDT e PC do B
Presidente estadual do PDT e candidato ao Governo, Carlos Eduardo confirmou que o partido está muito próximo de compor aliança na majoritária e proporcional com o PC do B. “Estamos conversando em estágio avançado com o PC do B. Esse é o partido que está mais próximo de uma aliança tanto em nível de eleição majoritária como na proporcional”, afirma.
Além do PC do B, ele citou também o PRB e o PSDC como legendas que estão sendo negociadas para integrarem a aliança com o PDT. “Faltam quatro meses para as convenções, onde efetivamente se dará a formalização das alianças partidárias. Esperamos que nos próximos quatro meses novos partidos venham a somar conosco”, comenta Carlos Eduardo, ressaltando que o limite do PDT é fazer aliança apenas com os partidos da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre os candidatos a deputado estadual que serão lançados pelo PDT estão o jornalista Agnelo Alves e a vereadora natalense Sargento Regina. O PC do B, presidido por Antenor Roberto, terá como um dos candidatos o ex-prefeito de Caicó, Roberto Germano.
PR vai reunir pré-candidatos para discutir composição
Entre os partidos que já deflagraram as primeiras conversas para a composição da chapa proporcional está o PR, presidido pelo deputado federal João Maia. Nessa segunda-feira acontecerá a reunião da legenda. O deputado federal não adianta as preferências de coligação na proporcional, mas indica que é provável compor com partidos que estejam aliados na majoritária. “Nós vamos analisar, porque fazer coligação é uma coisa que depende de dois. É que nem casamento, não basta você querer, o outro tem que querer também. Nós vamos analisar que melhor coligação seria para o partido e é um negócio que tem que interessar ao outro partido também, e vamos analisar se é melhor sairmos com chapa própria”, diz o deputado João Maia, em entrevista a Rádio Caicó AM.
PV defende chapão
O deputado estadual Luiz Almir, que será candidato a reeleição pelo PV, disse que a legenda ainda não definiu a coligação para proporcional, mas defende uma “grande chapa”. “Não houve nenhuma reunião para discutir o assunto. Mas o partido vai ter que formar uma coligação grande, boa, temos que oferecer grandes opções para as pessoas”, destaca.
O partido da prefeita de Natal Micarla de Sousa lançará como candidatos a estadual, além dos atuais mandatários Luiz Almir e Gilson Moura, o marido da gestora, jornalista Miguel Weber. Para deputado federal estará na disputa o vereador Paulo Wagner.
Presidente do PMN destaca coligação
O presidente estadual do PMN, deputado Robinson Faria, afirma que a tendência do partido é firmar coligação na chapa proporcional com o DEM, do senador José Agripino Maia, e o Partido Verde, da prefeita Micarla de Sousa, caso esse confirme o apoio a candidatura de Rosalba Ciarlini. “A coligação com o DEM é a lógica”, diz o líder do PMN.
O partido de Robinson Faria terá quatro candidatos a reeleição, os deputados Antônio Jácome, Gesane Marinho, Raimundo Fernandes e Ricardo Motta, e já vive uma crise interna com estreantes. Os ex-prefeitos de Nova Cruz, Cid Arruda, e de Goianinha, Rudson Lisboa, disputam quem conseguirá viabilizar a candidatura para deputado estadual. O nome que for lançado terá a garantia de “repasse” de votos do colégio eleitoral de Robinson Faria, que é a região Agreste. O ex-presidente do DER, engenheiro Jáder Torres, também do grupo do PMN, ainda chegou a ensaiar uma candidatura a estadual, mas desistiu do pleito. Para Câmara dos Deputados, o PMN terá como principal candidato Fábio Faria, que tentará a reeleição.
Se o deputado estadual Robinson Faria mostra disposição em fazer coligação com o DEM, os parlamentares Democratas ainda não se mostram tão seguros da definição. O deputado estadual Getúlio Rego, líder do DEM na Assembleia Legislativa, afirmou que o partido ainda não fechou aliança na proporcional.
“As conversas ainda começarão. Essa será uma decisão de bancada, onde prevalecerá o interesse do partido. É preciso raciocinar de forma coletiva”, disse Getúlio Rego.
Além dele, os deputados Leonardo Nogueira e José Adécio tentarão a reeleição pelo DEM. Outro já confirmado como candidato a estadual pela legenda é o vereador Ney Lopes Júnior.
Na bancada federal, o DEM possui como principal candidato o parlamentar Felipe Maia, que tentará a reeleição. Betinho Rosado, que era primeiro suplente da coligação e assumiu com o falecimento do deputado federal Nélio Dias (PP), também tentará conquistar um mandato de titular na Câmara dos Deputados.
