quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Dilma Rousseff termina formação do ministério

Tribuna do Norte
Brasília (AE) - Sem produzir surpresas, Dilma Rousseff concluiu ontem a montagem de um Ministério à imagem e semelhança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT, partido da presidenta eleita, ficou com a maior fatia do poder: 17 das 37 cadeiras. Trata-se da mesma cota que a legenda detém hoje na Esplanada. Apesar da fisionomia de continuidade do governo Lula, a escalação da equipe causou descontentamento entre quase todos os aliados.

elza fiúza / abrDilma Rousseff definiu os espaços dos petistas e aliados no primeiro escalão do novo governoDilma Rousseff definiu os espaços dos petistas e aliados no primeiro escalão do novo governo
O PMDB do vice eleito, Michel Temer, continuou com seis assentos no primeiro escalão, embora o ministro da Defesa, Nelson Jobim - filiado ao partido - seja carimbado como “cota pessoal" de Dilma e Lula. Antes mesmo da posse, em 1º de janeiro, uma das indicações já provoca constrangimento. O futuro ministro do Turismo, Pedro Novais, pediu à Câmara dos Deputados ressarcimento de R$ 2.156, gastos em um motel de São Luís (MA), conforme reportagem publicada ontem pelo jornal O Estado de S Paulo. Novais é afilhado político do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-MA).

Apesar do número de cadeiras, o PMDB perdeu “substância" na Esplanada, na visão do líder do partido, Henrique Eduardo Alves (RN). “Perdemos pastas como Comunicações e Saúde, que foram para o PT. Mas sabemos que, na montagem do governo, nunca se chega ao ideal", disse o deputado.

O PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, queria aumentar o seu espaço no governo, mas acabou levando dois ministérios: Integração Nacional e Secretaria dos Portos. A bancada do partido na Câmara esperneou, mas não houve jeito. Ao menos por enquanto, Dilma também desistiu de criar um ministério exclusivo para cuidar de portos e aeroportos. O Ministério da Micro e Pequena Empresa, outra promessa de campanha, foi outro que ficou para depois.

Embora a presidenta eleita tenha assegurado que não admitiria homem forte na equipe, está claro que o futuro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, assumirá esse papel. Foi Palocci, por exemplo, que sondou todos os convidados para a equipe, antes de Dilma, apartou brigas e atuou como bombeiro para apagar incêndios políticos, principalmente no PT e no PMDB.

Vaivém

A escalação da equipe também produziu a categoria dos ministros que foram sem nunca ter sido. Estão nessa lista o secretário fluminense Sérgio Cortês, que era para ser e não foi ministro da Saúde; o senador eleito, Eduardo Braga (PMDB-AM), que chegou a ser confirmado por integrantes da equipe de transição como ministro da Previdência, mas acabou não indo, e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), cotado para retornar à Integração ou assumir Portos e Aeroportos.

Na seara do PT, a corrente Democracia Socialista bateu o pé, deu cotoveladas e conseguiu com que Dilma desistisse de levar Maria Lúcia Falcon para o Desenvolvimento Agrário. No lugar de Falcon, a presidenta eleita nomeou o deputado eleito Afonso Florence (PT-BA), apadrinhado pelo governador Jaques Wagner. Na contabilidade do mosaico petista, porém, a tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), de Lula e do ex-ministro José Dirceu, levou vantagem.

Mesmo com a disposição de reforçar a cota feminina na Esplanada, a presidenta eleita encontrou dificuldades para montar esse time e escalou nove mulheres.

“Dilma vai governar com um ministério recauchutado e dá para ver a sombra do Lula. O máximo que ela conseguiu foi um remendo aqui, outro ali", avaliou o cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília (UNB).

Cauteloso, o deputado André Vargas (PR), secretário de Comunicação do PT, disse que a equipe reflete as escolhas de Dilma e citou como exemplo a indicação do colega José Eduardo Cardozo (SP) para a Justiça. “O Ministério tem a cara da Dilma, mas, se não tivesse a marca da continuidade, seria um estelionato eleitoral contra o povo, que votou pela continuidade", insistiu Vargas.

ministros

Veja abaixo a lista completa com os nomes indicados para o ministério de Dilma Rousseff:

PT

- Alexandre Padilha (PT) - Ministério da Saúde

- Fernando Pimentel (PT) - Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

- Fernando Haddad (PT) - Educação

- Aloízio Mercadante (PT) - Ciência e Tecnologia

- Ideli Salvatti (PT-SC) - Ministério da Pesca

- Maria do Rosário (PT-RS) - Secretaria de Direitos Humanos

- Paulo Bernardo (PT-PR) - Ministério das Comunicações

- Antônio Palocci (PT-SP) - Casa Civil da Presidência

- Gilberto Carvalho (PT-SP) - Secretaria-Geral da Presidência

- José Eduardo Cardozo (PT-SP) - Ministério da Justiça

- Guido Mantega (PT-SP) - Ministério da Fazenda

- Miriam Belchior (PT-SP) - Ministério do Planejamento

- Luíza Helena de Bairros (PT) - Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial

- Tereza Campello (PT) - Ministério do Desenvolvimento Social

- Luiz Sérgio (PT-RJ) - Secretaria de Relações Institucionais

- Afonso Bandeira Florence (PT-BA) - Desenvolvimento Agrário

- Iriny Lopes (PT-ES) - Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres

PMDB

- Nelson Jobim (PMDB) - Ministério da Defesa

- Edison Lobão (PMDB-MA) - Ministério das Minas e Energia

- Wagner Rossi (PMDB-SP) - Ministério da Agricultura

- Pedro Novais (PMDB-MA) - Ministério do Turismo

- Garibaldi Alves (PMDB-RN) - Ministério da Previdência

- Moreira Franco (PMDB-RJ) - Secretaria de Assuntos Estratégicos

PSB

- Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) - Integração Nacional

- Leônidas Cristino (PSB) - Secretaria Especial de Portos

PDT

- Carlos Lupi (PDT) - Trabalho

PR

- Alfredo Nascimento (PR-AM) - Ministério dos Transportes

PP

- Mário Negromonte (PP) - Ministério das Cidades

PC do B

- Orlando Silva Jr. (PC do B) - Ministério dos Esportes

Sem partido

- Izabella Teixeira - Meio Ambiente

- Ana de Hollanda - Ministério da Cultura

- Helena Chagas - Secretaria de Comunicação Social

- Alexandre Tombini - presidência do Banco Central

- Luís Inácio de Lucena Adams - Advocacia Geral da União (AGU)

- Antônio Patriota - Relações Exteriores

- General José Elito Carvalho - Gabinete de Segurança Institucional

- Jorge Hage - Controladoria-Geral da União (CGU)

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